categorias: Comportamento Dança

Sobre os meninos que fazem ballet, preconceitos e a história do príncipe George.

Poderia escrever um compêndio sobre o assunto de menino fazer aula de ballet. Sim, a vida me levou a me especializar em dança com crianças pequenas. Muito porque por mais de 20 anos dei aulas de ballet para crianças e hoje trabalho com formação de professores para dança. E nessa longa história dando aulas, tive apenas um menino como aluno e por alguns meses. Mas, o fato é que um menino fazer ballet, não precisaria ser notícia e virilizar, como é a história do pequeno príncipe.

Para quem não está entendendo, várias mídias anunciaram que o príncipe William revelou que George, de 5 anos, está fazendo aulas de balé. A notícia foi contada durante um evento de jovens inspiradores no Kensington Palace, enquanto ele conversava um menino dançarino de 14 anos que relatava que sofria bullying. É sobre esse ponto que gostaria de falar sobre o meu aluno, um menino de 6 anos, na época, que parou de dançar porque não aguentou a pressão dos colegas em relação a ele dançar. Onde foi que erramos e alimentamos esse e outros tipos de preconceitos?

Nem preciso entrar aqui na questão de que dançar ballet ou qualquer outra dança,  NÃO se relaciona com gênero, nem muito menos opção sexual. Já ouvi diversos relatos de mães que não colocam seu filho nas aulas de ballet para não ficaram afeminados. Posso te garantir que as aulas de ballet não fazem isso e se fizesse não teria problema, como dizia Pepeu “ser um homem feminino não fere meu lado masculino”. Mas, como eu ia dizendo as aulas para meninos e homens trabalham justamente o despertar dessa energia masculina, mas em um contexto artístico, pelo corpo, pela dança, pelo lúdico.

Quem dera se TODAS as crianças pudessem dançar, talvez não tivéssemos indivíduos, tão enrijecidos (no corpo e na alma) e tão desconfortáveis com seu próprio corpo. Desconforto esse gerado por quem não se conhece, não sabe das suas possibilidades de movimentação, nem ao menos sabe que se expressar pelo corpo é também uma possibilidade rica de comunicação. Um jeito de falar que não precede o racional é abrange um conhecimento que é sensível…Como o mundo seria diferente se pudéssemos ter essa chance….

A propósito, vou fazer um jabá meu mesmo...Acho que nunca falei nada aqui, mas recentemente lancei um livro, que fala justamente desse aprendizado da dança na escola para as crianças pequenas..(tá a venda aqui, ó) 

Voltando ao príncipe William, ele gentilmente disse ao menino “Se é algo que você ama, você faz o que ama. Não deixe que ninguém lhe diga o contrário. Continue assim”. Quando é que iremos abrir nossas cabeças e passar a ver o mundo dessa forma???