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Kendall Jenner: Dessa vez amiga não tem como te defender.

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Ok, eu estou na fase de evitar a polêmica, mas a polêmica tá vindo na minha direção. Vocês sabem que eu sempre defendo as Kardashians/Jenners , mesmo quando elas não tem razão (vamos dizer que isso ocorra 75% da vezes). Mas, eu sou fã e por isso “cega” para alguns looks, comportamentos bizarros e atitudes duvidosas. Enfim…dessa vez Kendall Jenner mexeu no meu queijo. 

Spanish Vogue by @miguelreveriego

Uma foto publicada por Kendall Jenner (@kendalljenner) em

Sério que eu ia ficar quieta, porque apropriações acontecem a todo momento, mas eu fui colocar uma lupa na coisa toda e sem orrrrrrrrr, não dá. Para você que não tá entendendo nada, eu explico: Kendal fez um shooting para a revista Vogue espanhola incorporando uma bailarina(aliás nesse caso, a Vogue tem a outra metade da culpa, por que né? Olha eu tentando defender as K and J novamente.). Até aí, tudo bem se não fosse Kendall tenta fazer posturas de ballet de uma maneira bizarramente errada(Para quem não sabe trabalho com dança e sou professora de ballet). A ideia foi Kendall representar uma  menina pequena fantasiada de bailarina. Só que ela não é uma criança pequena. Pensa na polêmica que deu, bailarinas do mundo todo se manifestaram sobre a sessão de fotos.

Isso é péssimo porque…

1- Não, não dá para fazer um shooting se propondo a ser bailarina, com posturas péssimas e sem qualquer cuidado com essa técnica que é muito séria. Isso pode induzir as pessoas ao erro e achar que podem fazer ballet em casa, sozinhas e sem auxílio de qualquer profissional habilitado(pode parecer loucura, mas tem gente que me manda e-mail perguntando dicas de video de youtube para aprender ballet)

2- Existe uma densa preparação para uma pessoa colocar uma sapatilha de ponta(o pé na sapatilha não pode ficar assim, como o da foto da Kendall). Existe toda uma preparação física para ficar nas pontas dos pés. E juro que tem gente que compra uma sapatilha sem nunca ter ido a uma aula. Qual a chance dessa pessoa virar o pé e se machucar? 100%. Depois as pessoas espalham por aí que ballet detona, coluna, joelhos e pés. Mal feito, não tenho dúvida.

3- As bailarinas treinam muitas horas diárias e não é em 5 minutos que dá para “incorporar” uma. Vocês não podem imaginar o número de pessoas que se dizem bailarinas profissionais fazendo um mês de aula. O ballet leva anos para ser aprimorado no corpo e são muitos anos de prática diária que fazem um profissional. Não dá para ser tão simplista. Quer se apropriar? Faça como as atrizes de Cisne Negro, que estudaram para fazer um papel.

Muitos podem dizer Kendall estava apenas fazendo seu trabalho, ela é modelo e representa quem quiser. Mais ou menos. Não dá para se apropriar de tudo sem o mínimo de empatia com aquele que se representa. A coisa seria toda diferente se Kendall fosse colocada ao lado de uma bailarina real e estivesse aprendendo a dançar. E o vídeo fosse um momento “sonho”. Mudaria pouco e não teria uma repercussão tão negativa.

E o que vocês acham desse lance de apropriação???

categorias: Dança

A coleção 7 tons de nude de bailarinas de Louboutin.

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Genteeeeee, faz 100 milhões de anos que não falo de ballet ou qualquer tipo de dança  aqui no blog né? Nuuuuuuuuuu. (Serassi que porque nos últimos 4 anos só falo e escrevo de dança nessa vida(acho que sim, pra quem não sabe meu doutorado que acabei ontem foi em dança). Antes esse blog falava muito de moda, ballet e dança. Ai parei porque como ficava horas escrevendo sobre isso e quando chegava aqui queria mudar totalmente. Mas, vou voltando com essas pautas aos poucos aqui (se vocês curtirem é logico). Bom, deixa de blá…que né? O dia passa o assunto do post não chega.

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Tava dando uma fuçada na internet e vi que Loubie anda investindo nos tons de nude, respeitando diversos tons de pele. Em 2013, Christian Louboutin originalmente lançou sua coleção de “Nudes” que eram scarpins em cinco tons de pele. Desde então, o designer de sapatos incluiu duas novas tonalidades na coleção. Eis que para a primavera-verão 2016 introduz um novo estilo com a sapatilha, Solasofia, uma flat bailarina. Achei fofa e bem a cara da repetto(marca famosa de sapatilhas e roupas de dança) com o bico fino que gosto mais…

Galeria de imagens

Eu gostei e compraria fácil se eu fosse muito ricaaaaaaaaaaaaa. Porque 595 dólares por uma sapatilha tá bem fora das minhas poses. O que acham???

categorias: Dança Moda Moda e arte

UMA: um espetáculo em desfile.

UMAUOU…faz tempo que não tenho uma pauta tão minha cara, explico….Ontem como contei aqui para vocês fui conferir o primeiro dia de desfile do SPFW, assisti ANIMALE(lindo) e UMA  este último fez meus olhos brilharem como a muito tempo não acontecia. A identificação pessoal foi imediata, por diversos fatores, um deles foi que Raquel mergulhou no universo da dança para trazer movimento a sua uma coleção. Outro que foi que além de trazer a dança para a roupa, ela estava na passarela, com os bailarinos e a equipe da São Paulo Companhia de Dança(SPCD). Cia que tenho um carinho enorme, pela  pessoas que fazem parte dela em especial Marcela Benvegnu e Inês Bogéa, e pelo trabalho que ela realiza(pra quem não fui pesquisadora convidada da Companhia). 

uma umaMas voltemos ao desfile(o raio do foco, que perco rs) conversei com a Raquel(estilista) e com o Rafael Gomes (coreógrafo do desfile e bailarino da SPCD), e com a Inês  Bogéa, e fiz algumas perguntas. Vamos a elas..

UMAAlfinetes de Morango: Raquel, para criar a coleção o que veio primeiro a roupa ou a dança? 

Raquel Davidowicz: Primeiro veio a ideia de criar uma coleção urbana, com a ideia de trazer o comportamento autêntico das ruas.  Em 2008, assinei o figurino da obra de Paulo Caldas, Entreato, e desde então tenho vontade de fazer outras coisas com a cia. Há três semanas atrás, liguei para Inês(Diretora artística da SPCD)s e propus que os bailarinos participasse do desfile, apresentando as roupas pela dança. A Inês topou e começamos a criar como seria. Foi completa a sinergia entre as peças da coleção e os bailarinos. O processo todo fluiu muito bem, muito trabalho e a cada ensaio nos tornávamos um coletivo.

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Alfinetes de Morango: Você fez alguma adaptação nas roupas para que ela pudesse “servir” aos bailarinos.

Raquel Davidowicz: Não,  a unica coisa que mudei foi os sapatos, adaptando um coturno a um calçado mais flexível.

Inês, qual foi a ideia para concepção dessa coreografia?

Ines Bogéa: A coreografia foi dividida em três partes, brincando com as cores da roupa e com momentos.A ideia foi dar movimento as peças, para a movimentação trouxemos algumas referências da ruas, como as toucas, gestual com  mãos (espetadas) que representam os cílios posticos de travestis, coturnos que desenham no espaço esse caminho das ruas. Nesse sentido a  roupa é uma pele social que une a moda com o mundo da dança.

Alfinetes de Morango:Rafael, me conta um pouco desse processo…

Rafael Gomes: Para criação dessa coreografia tivemos parceria com Hisato(DJ) que fez uma trilha que desse vida ao desfile. Minhas referências foram o pós punk, em uma ideia que somos seres da solitários andando pelo baixo Augusta. E que ao mesmo tempo em que estamos com o todo, estamos sozinhos. Na noite é mais ou menos assim que funciona.

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Ainda estou em êxtase, porque já tivemos aqui no Brasil, desfiles que trouxesse a dança, mas não havia visto ainda essa união maravilhosa entre dança e moda. Esse blog começou com essa ideia de trazer um pouco de arte, dança e moda com uma linguagem que alcançasse um público maior. A ideia de descomplicar e aproximar a dança do grande público, vem sendo uma das minhas grandes preocupações enquanto pesquisadora de dança.

uma 8Tomara que esse seja um pontapé para que as relações entre moda e dança, dança e moda se estreitem cada vez mais. E que possamos ver traduzido em desfiles e espetáculos essa sinergia, que Raquel Davidowicz, tão bem traduziu em seu desfile. Preciso dizer que foi emocionante  um êxtase para meus olhos de dançarina e admirado da moda…

fotos: Agência fotosite e Alfinetes de Morango.